sábado, 12 de dezembro de 2015

A verdadeira função humana / Placebismo

            Sinto saudade do tempo em que as coisas faziam sentido, mas quando paro pra pensar, parece que elas nunca fizeram. Sério mesmo: sempre houveram de brigas de cerca até conflitos internacionais; de roubo de chinelo até roubo de altas quantias públicas. Então, me pergunto sobre essa atual crise.
            Nós já passamos por isso. Não uma ou duas, mas várias vezes. Sobrevivemos a elas (ou nossos pais/avós). Problemas não são, em sua maioria, uma novidade. Eles são resultados daquilo que fazemos ou deixamos de realizar.
            Mas, voltando ao assunto em pauta, existem coisas realmente sem pé nem cabeça. E por que não dizer todas? As coisas fazem sentido pras pessoas que para elas atribuem um significado. É como se fosse aquelas indiretas que só você e seu melhor amigo sabem. E elas passam a ser de domínio público se você não mantê-la em segredo. Foi assim que demos funcionalidades a objetos. Um exemplo disso: se alguém não soubesse o que é uma guitarra, poderia confundi-la com uma arma. Curiosamente o oposto não acontece.
            Tudo no mundo é o que é porque foi criado para ser isso. Uma faca foi feita para cortar. Isso não quer dizer que ela não possa quebrar galho apertando parafusos. Ela também serve para isso, não tão bem quanto uma chave, mas funciona. A respeito disso, me pergunto qual a verdadeira função do homem. Okay, ele serve para operar equipamentos, mas as máquinas o fazem melhor. Constrói as máquinas; mas essas são capazes de fazer novas máquinas. O ponto em questão é que cada vez mais parece que criamos coisas com o fim de nos substituir. Para o homem, a única função verdadeira seria o nosso ciclo vital, pelo menos por enquanto. Chegará um momento em que o homem irá afetar isso: seu nascimento se dará de forma acelerada, assim como seu crescimento. Sua reprodução será completamente manipulada pela ciência e ele tentará eternamente driblar a morte, acabando com o equilíbrio da vida.
            Douglas Adams cita, em sua obra intitulada “A agência de investigações holísticas Dirk Gently”, a criação do que chama de monge eletrônico, um aparelho com a função de acreditar nas coisas por nós. Claro que isso não existe, mas mais uma vez é levantado um ponto para discussão: o que deve ser substituído por outros aparelhos e o que deve ser preservado; tudo deve ser otimizado?
            Nós criamos tudo o que achamos necessário. Na maioria das vezes, julgamos coisas extremamente bobas e supérfluas como se tivessem uma real importância. Creio que essa seja a real função do homem: buscar uma explicação pra tudo e para todos. Muitos acreditam que nós só vamos viver de verdade se soubermos explicar tudo sobre aquilo que nos convém. Na Grécia, contavam-se histórias explicando catástrofes e criação de animais/objetos. No Egito, mostravam as causas para pragas, maldições e coisas as quais julgavam importantes (como a mumificação). Atualmente, o que vem sido julgado como criação para explicar fenômenos seria a própria criação de Deus.
            Contrapondo a questão de que tudo deve ser entendido, eu acredito que existem coisas que nós não conseguiremos decifrar ou compreender. Tomamos Coca-Cola sem compreender sua fórmula. Comemos chiclete mesmo que todos dizem que ele é feito de língua de vaca. Muitas coisas devem apenas ser aceitas ao invés de interpretadas. Para isso, chego na definição do Placebismo.

            Um placebo é algo com a finalidade de substituir um medicamento, sendo que ele não possui efeito nenhum. É o mesmo que trocar um xarope por água sem que a pessoa saiba e isso continue melhorando (ou achando que melhora). A religião placebo tem um efeito semelhante. É quando você acaba crendo por crer, pra “não ficar fora da rodinha”. A realidade é que, hoje em dia, muitas pessoas só creem em algo porque isso foi imposta a elas. Se sua criação fosse livre, ele não acreditaria nisso, ou se fosse em alguma outra cultura ela levaria aquilo como certo. Nisso também se vem a ideia de funcionalidade para as coisas. Novamente citando Douglas Adams em seu texto “Existe um Deus artificial?”, diz-se que o dinheiro é uma forma de Deus artificial, pois é algo que, a princípio, não teria poder nenhum, apenas o que depositamos nele. O problema é que as pessoas depositam sua fé e o poder em diversas coisas e no fim “tudo se torna sagrado”. Seria mais fácil chegar no ponto de crer ou não crer, sem querer justificar. Existirão mil argumentos para cada lado, cada um baseado na sua concepção de realidade (visto que, para alguns, a realidade é composta por aquilo que acreditamos ser verdade). 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A lanterna das cachoeiras

                Das inúmeras lendas criadas na remota ilha de Isoladolândia, essa certamente era uma das mais conhecidas. Não por ser boa ou interessante, mas por ser sem sentido mesmo. E as coisas sem sentido são aquelas que as pessoas mais adoram. Se duvida disso basta passar um tempinho vendo vídeos virais no YouTube.
                Acontece que nesse lugar é proibido se ter lanternas. A lenda confere que, toda vez que alguém liga alguma, as cachoeiras da ilha a empurram para baixo, afundando cada vez mais sua população. A lenda era completamente ignorada até que pesquisadores apontaram que Aquaman era chegado numas lanternas. Desde então, o povo as reprime e as odeia com ódio e fervura. Como se as inocentes pudessem se defender. Aliás, essa ideia de que lanternas são indefesas é falha. As pessoas tendem a acreditar que só porque algo é inanimado, não pensa ou é feito só de madeira essa coisa é indefesa. Você consideraria um piano caindo por cima de você indefeso? Eu acho que não.
                Havia um garoto que acreditava que as lanternas eram injustiçadas e elas não eram uma entidade maligna, como as outras pessoas da ilha diziam. Então, junto com sua namorada, foi atrás de explicações. Além de não ver uma base lógica para as lanternas fazerem aquilo, ele não entendia como todas elas haviam desaparecido da noite pro dia.
                Os dois eram jovens. Carlota era um rapaz adorável, ajudava sua mãe nas compras e seu pai a lavar o carro. Já Alisson era uma menina fantástica. Cantava, dançava, vivia sua vida. Formavam um casal feliz. Encontravam-se todo dia para ler na biblioteca central. Aquele dia, foram pesquisar registros sobre as lanternas. A garota não entendia o fascínio de Carlota pelas benditas malditas lanternas, mas o amava e faria de tudo para ajuda-lo. Então, ficaram dias e dias após aquele pesquisando e nada e nada e nadica de nada. Até que ela pensou que poderia ser uma boa ideia perguntar a alguém mais velho se sabia o paradeiro delas. Bingo! O velho bibliotecário sabia, e lhes disse porque era meio gaga:
                - Elas estão escondidas na floresta, perto da caverna.
                No outro dia foram atrás da caverna e a encontraram rapidamente. Durante oras olharam perto dela e nada das malditas lanternas. Então começou a chover e foram se abrigar na bendita do mito de Platão. E as lanternas estavam lá dentro.
                - Eu acho que aquele bibliotecário não sabe a diferença entre “perto” e “dentro”.
                - Eu acho que aquele bibliotecário nem sabe que é bibliotecário.
                Verificaram que todas ainda possuíam baterias funcionais. Haviam sido jogadas lá porr desespero, era a única explicação. Decidiram por ligar todas as lanternas juntas. A ilha começou a alagar. Todos lá morreram.
                E é por isso que você nunca ouviu falar de Isoladolândia. Ela afundou.
                Não tem nada a ver com o fato de eu ter inventado ela aqui.

                Nada mesmo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A certeza (texto de Bruno "brunin" Aguiar)



Entretanto, a certeza de Carlinhos já não dependia de fatos objetivos. Instalara-se nele. Vira o quê? Talvez muito pouco; ou seja, uma posse recíproca de pés, debaixo da mesa. Ninguém trai com os pés, evidentemente. Mas de qualquer maneira ele estava "certo". Três dias depois do ocorrido, ele se sentiu um pouco envergonhado e um tanto quanto desapontado com o que havia acontecido na noite passada, pois o que havia acontecido era uma coisa que não acontecia muito seguido, mas quando acontecia era fatal, pois era mortal.
Então deu um duplo carpado de costas e enfim viu que seu potencial para escalar montanhas era uma coisa de cozinheiro. Partindo para a cozinha resbalou e fraturou um braço, mas a dor do braço já não valia de nada, pois ele também tinha fraturado a cabeça e morrido. Então o ratinho que morava em sua casa vibrou, pois teria carne fresca para comer por um bom tempo.
Logo que chegou em sua casa, Carlinhos tomou seu banho, colocou seu terno mais chique, cujo não era nada demais, e foi ao encontro de sua amada. Quando estava quase chegando ao seu destino um caminhão de lixo bateu e morreu.

A aleatoriedade de coisas incertas



            Quando se pensa em algo sem sentido, faz-se junções com “batata”, “trigo” e “superantibiodegradavississimamentismo”, mesmo que algum destes termos não exista. É claro que a palavra em questão é “batata”, ela é imaginária. Uma boa prova disso é o fato das batatas fritas do méqui serem feitas de amido de milho. O superantibiodegradavississimamentismo existe, pois eu o criei. Eu sou seu inventor, seu Deus, sua única fonte de fibras e potássio, que junto com sete pacotes de Tang Uva lhe gerará alimento por três semanas inteiras. Mas durante todo o período da Guerra Civil entre paraenses e italianos, o crescimento das vendas de massa de pizza ultrapassou a marca de 78 pigmeus afrodescendentes, porque negros são ofensivos.
            A ofensa do xingamento chega a ser repulsiva, pois ela ofende. Não num sentido bíblico, mas religioso. Seria o mesmo que o papa atropelar um coala. Não seria bíblico. Por não ser bíblico, fala de pinoias, e as pinoias não existem, por isso são o que são: pinoias.
            Pior do que esses 10 anos de azar, só os 481 de sorte. Já imaginou ter que viver 481? Ainda mais com sorte... Deve ser um saco. Um saco grande e peludo num dia quente de verão.

domingo, 13 de setembro de 2015

As flores racistas

            E se eu dissesse que as flores não gostam umas das outras? Acha difícil pensar nisso? Sejamos mais amplos então. E um macaco discriminar outro por causa da sua família ou espécie, parece bom o suficiente? Ainda duvida? Vai ver então o preconceito seja característica dos animais “evoluídos”. Utilizo aspas não no sentido de evolução, pois por este estamos no topo, mas no da consideração estamos na base, mostrando menos entendimento do que qualquer outra categoria de seres vivos.
            Quando perguntei se seria possível a discriminação entre macacos de famílias ou espécies diferentes, pensava no princípio evolutivo: e se isso fosse uma característica a qual nós não evoluímos, não conseguimos mudar? Poderia ser algo presente nos nossos “parentes distantes”.  Mas aparentemente eles não se odeiam. De certa forma buscam a uniam para se manter. Os cães fazem a mesma coisa. Mesmo sendo de espécies diferentes, interagem entre si como se não houvesse uma “hierarquia canina”.
            Os animais são considerados seres irracionais. Por irracional, entende-se logo de cara que não raciocina, não pensa. Mas um cão pode planejar seus atos? Ele pode comandar suas vontades e necessidades? Pode se comunicar com outros animais, mesmo que não seja interpretado? Então uma das duas coisas não está correta: ou eles não são irracionais ou o entendimento dessa palavra não é tão literal assim. Os animais podem não acordar um dia e pensar “hoje em quero destruir a vida daquela capivara” mas certamente elas tomam conhecimento das coisas que as cercam. Então, talvez o mais correto seria dizer que eles não tem entendimento a respeito da maldade, lembrando que as caças não são consideradas maldades, mas sim instintos selvagens que muitas vezes se sobrepõem sobre as necessidades básicas. Muitas vezes temos esses “instintos de caça” também. Será que somos tão “primatas” assim ou eles não estão tão atrasados no ciclo evolutivo como se espera? Aliás, a maioria dos filmes do gênero suspense/terror que mais apavoram as pessoas são a respeito de animais que evoluem a sua consciência. Temos bons exemplos assim com cobras, tubarões, macacos e aranhas. Mas, para eles, os seres evoluídos somos nós. E não estamos em uma ficção, então há o que temer ? Você não revidaria a ameaça de um ser que pensa mais do que você? Segundo esses filmes, você iria.
            Mas e as flores? Elas não se enquadram na categoria “animália”. Elas nem possuem um cérebro. Como poderiam ser racistas? A partir dessa premissa, podemos concluir que é necessário possuir um cérebro para poder discriminar alguém, ao mesmo passo que se diz que pessoas inteligentes se mantém abertos as diversidades e respeitam as coisas que diferem de suas culturas. Por que então não poderiam as flores serem racistas? Temos a diversidade de odores, de cores, de formatos, de espécies. Uma flor rosa é melhor do que uma amarela? Ela é mais cheirosa? Para nós são iguais, diferem apenas no gosto particular. Por que então quando pensamos sobre gostos tentamos empurrar o que achamos correto? Porque se debatermos qual nossa flor favorita ninguém vai tentar lhe convencer que a deles é a melhor, mas se tentar expressar que prefere X e a maioria for Y, eles não irão desistir até você se converter. Mas por quê? As flores não são dignas de discussão? Não são respeitáveis? “Ah, são apenas flores”. Mas o que são as flores, afinal? Devemos aprender com elas, aprender com os animais, porque se um animal evoluído aparentemente não consegue se manter em frente as diferenças, ele  não consegue nem se virar na realidade, pois se mesmo os mais ancestrais dos animais conseguem, por que não poderíamos?
            Muito do que se fala também é a respeito da variedade. Diz-se que “as pessoas são todas iguais”. Esse é o pensamento mais errôneo de todos. Pense no seu melhor amigo. Pense em cinco de suas principais características. Quantas dessas são iguais? Provavelmente, não todas. Mas, de certa forma, a questão de sermos iguais não se diz em relação a isso. Mas, mesmo com minha fala induzida para um ponto falso, podemos experimentar o que sempre digo: as pessoas não são iguais e nunca serão. Elas todas são diferentes, assim como os animais de um zoológico ou as mil e uma flores de um campo na primavera.
            Feliz será o dia que poderemos escrever textos falando sobre o racismo das pessoas e o quanto este deve desaparecer, onde poderemos divulgar nossa opinião sem medo de que outras pessoas queiram muda-la a todo custo. O dia mais feliz será aquele em que, ao falar sobre flores racistas as pessoas não fiquem surpresas com uma flor ser preconceituosa, mas com o fato de que um dia houve essa discriminação. Pois assim como os animais fazem, devemos seguir: precisamos parar de acreditar que todas as pessoas são iguais e aceitar e respeitar que todas são diferentes. Afinal, é mais fácil duas pessoas completamente diferentes se entenderem ou as flores serem racistas?

domingo, 26 de julho de 2015

“Matei, mas foi por acidente”

            Casamento, algo tão único na vida de uma pessoa... Consumar a união de duas pessoas que se amam. É um evento único. Menos para João Bolão. Este, em seu próprio casamento, acabara matando três parentes da noiva: o seu sogro, a irmã e a tia da noiva. Ele nunca gostara muito deles, visto que sempre pareceram se interessar pelo seu dinheiro. Mas foi na frente de todos, eles viram que foi por acidente. Acontece que, para comemorar seu casamento, João pegou uma AK-47 e deu tiros para o ar, os quais três dos quatro disparados  cabaram atingindo os parentes da noiva, que já havia perdido a mãe cinco anos antes num passeio no parque com o namorado e a família. Ela acidentalmente caiu no lago e como não sabia nadar acabou se afogando. Todos culparam o noivo, mas como na primeira vez quanto no casamento, ele dizia:
            - Matei, mas foi por acidente.
            E de fato, sempre que havia uma investigação a respeito, viam que ele não havia agido de forma intencional. Após o casamento, interrogaram o noivo e os resultados apontaram a mesma coisa: João Bolão não fez por querer. A esposa, Maria Augusta, nem desconfiava do marido, que sempre fora muito atencioso com os pais dela, mesmo eles o explorando e sendo extremamente arrogantes com ele. Pelo menos não até aquele dia.
            Passaram-se sete anos após o ocorrido. Moravam em uma casa consideravelmente gigantescamente estonteantemente enorme em Cidápolis. Os seus vizinhos também moravam em casas gigantes, mas todos possuíam idade avançada. João Bolão acabou herdando o dinheiro de sua família, que caiu acidentalmente caiu em uma mina de ouro. Literalmente caiu em uma mina de ouro. A família estava praticando escalada e caminhada e em determinado trecho seus pais caíram em um terreno enfraquecido e caído brutalmente numa mina abandonada, cheia de ouro. Os pais morreram na hora, mas João acabou ficando com todo o ouro para si, junto com o irmão, Enrico Rico, que agora era rico. O rico Enrico Rico acabou morrendo também, mas esse em um quarto de hospital um mês antes do casamento. A causa da morte nunca foi descoberta. Desde então, João era o único herdeiro da bolada. Sorte do Bolão. Ele e sua esposa agora eram ricos.
            Acontece que, um dia, ligaram do hospital onde seu pai trabalhou até pouco tempo antes de morrer. Ele era enfermeiro lá. Não porque não conseguira ser médico, mas porque acreditava que enfermeiros trabalhavam mais do que eles. Havia lá uma caixa com coisas do seu pai que ninguém nunca lembrara de buscar e que colocariam fora, a menos que alguém pegasse. Seu marido se ofereceu para apanhar as lembranças, mas ela achava que era algo que deveria fazer por sua conta. Então um dia, quando seu marido saiu para trabalhar, ela foi de carro até o hospital e pegou a caixa. Lá, havia jalecos, canetas, tocas e luvas cirúrgicas, uma raríssima e única nota de um real e a coisa mais intrigante. Tinha lá um papel, onde estava escrito GREG421. Ela ficou se perguntando o que significava aquilo. Após meia hora lavando a louça (ela acreditava que, tendo uma casa daquele tamanho, não ter empregados e arrumar a casa a manteria humilde, mas a pia era extremamente complicada e ela não conseguia operá-la muito bem), lembrou-se que seu pai tinha um notebook com senha, o qual ela nunca descobrira. Ele estava na sala em que seu marido ficou no casamento, curiosamente. Ela resolveu tentar a senha e conseguiu desbloqueá-lo. Começou a vasculhar as coisas de seu pai e não encontrara nada demais. Apenas alguns documentos, músicas e vídeos em família. Resolveu assistir alguns para matar a saudade. Um dos documentos se chamava “confissão.flv”.  A primeira coisa que pensou foi “quem diabos grava um vídeo em formato FLV?”. A segunda coisa foi “que confissão seria essa?”. Então ela abriu aquele vídeo. Era de pouco antes do casamento. Ela abriu o vídeo. Nele, estava o irmão de seu marido numa cama do hospital. O notebook estava de lado, como se alguém realmente o tivesse esquecido jogado no canto. Nele também aparecia seu pai, falando com o irmão que falava:
            - Meu irmão é um canalha!
            - Também acho, mas tente se acalmar.
            - Não, não é pelo que o senhor acha.
            - E pelo que seria?
            - Sabe a nossa fortuna? Bem, nossos pais não caíram acidentalmente lá dentro. Conseguiram se esquivar, mas nós os empurramos lá. Ninguém nunca descobriu, até sua esposa o questionar naquele dia. Ele me confessou tudo, achando que eu fosse levar para o túmulo. Talvez esse seja a habilidade da minha família. Fazer com que todos acreditem que nós somos inocentes.
            - E como vou saber se isso não é mentira, que você só quer “ferrar” com seu irmão?
            - Ele que está “ferrando” comigo, enfermeira. Digo, enfermeiro... não estou acostumado, sabe? Enfim, ele me envenenou e achou que nunca saberia. Achou que eu fosse morrer instantaneamente, aquele idiota. Mas agora você tem a chance de extorqui-lo. Aproveite-se dele o máximo, ele merece essa lição.
            O vídeo acabou.
            Maria Augusta estava perplexa com aquilo. Não sabia  se era verdade, mas quem saberia? Tinha medo de perguntar ao marido e ter mesmo fim que sua família. De repente, ela percebeu uma coisa: o editor de vídeo do notebook ainda estava aberto. Então, resolveu assistí-lo. Era uma gravação do dia do casamento. Estava o marido se arrumando e o notebook propositalmente escondido dessa vez. De repente, o pai entra no quarto:
            - Eu sei o que você fez!
            - E-e o q-que eu f-fiz? – perguntou ele, com um jeito tímido e até meio nervoso.
            - Você matou sua família e a minha mulher!
            - Matei nada! Daonde você tirou isso?
            - Pare de fingir! Seu irmão confessou tudo!
            De repente, as feições do rapaz mudaram completamente. Ele passou de tímido e indefeso para alguém assustador e confiante.
            - Então aquele retardado descobriu que envenenei ele?
            - Aparentemente, ninguém morre por envenenamento instantaneamente.
            - De fato, mas por que você guardou isso até agora?
            - Porque, assim que vocês se casarem, posso contar para minha filha e para a polícia tudo o que você fez. Assim, você vai preso e nós ficaremos com todo o seu dinheiro. Genial, não?
            - É, exceto pelo fato de ter me contado. Assim, eu posso te matar!
            - Não seja tolo, eu tenho testemunha! Se você me mata, minha testemunha vai direto na polícia e te entrega.
            - Isso é o que vamos ver...
            O vídeo acabou.
            A esposa havia percebido tudo então. Seu marido era um psicopata. Matara todo mundo que o quis entregar a polícia. Então, ela fez o que ninguém conseguiu fazer. Esperou seu marido chegar do trabalho (ele vinha de ônibus, para preservar sua humildade) e quando se aproximou da casa, a esposa “acidentalmente” atropelou o marido duas vezes. Quando foi questionada sobrea morte pela polícia, apenas respondeu:

            - Matei, mas foi por acidente...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Destino e o que simplesmente acontece

            Se você se considera um ser humano, deve ao menos ter ouvido falar sobre o velho oeste. Os filmes nos descrevem como aquele lugar inabitável, onde para qualquer lado que você olhe encontrará um cowboy com uma arma apontada para a sua cara, dizendo “passa a sacola de ouro”. O que realmente acontece, ou acontecia, não era isso. Os lugares eram bem pacíficos, tirando o episódio com esse pistoleiro misterioso. Também era composto por gente pacífica, tirando esse pistoleiro misterioso. Sendo assim, podemos concluir que o velho oeste não era tão previsível como pensávamos.

            Não quero estender mundo essa conversa sobre o velho oeste, mas nele acontecia algo essencial para a viagem no tempo. Lá, as coisas não eram planejadas ou combinadas, elas simplesmente aconteciam. Esse conceito de “simplesmente acontecer” pode ser mais complicado do que parece, pois uma vez que algo não acontece da maneira como queriam, deviam iniciar uma série de outros fatos para que aquilo acontecer. É complicado, mas podemos exemplificar isso relacionando ao destino. Já ouviu aquela expressão “o destino tarda mas não falha”? Ou seria a morte? Enfim, ela também se aplica ao destino. Se para uma pessoa X o destino reservasse morrer numa segunda-feira e por acaso ela entrasse na sala mais segura do mundo e não saísse de lá, o destino faria ela viver mais uma semana, ou daria um jeito de adiantar o relógio dela para sair da sala 20 minutos mais cedo, tropeçar no degrau projetado 0,002 centímetros maior que os outros e quebrasse o pescoço. Se há uma verdade na vida, é que o destino é bem eficiente. Eu não acredito em destino, mas acredito em “simplesmente acontecer”, então isso pode se relacionar mais do que imaginamos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Algo que estou trabalhando

"Cap. 6 – Sobre viagem no tempo
            Há coisas que devemos ter em mente quando abordamos o tema “máquina do tempo”. Este não é um capítulo relacionado à história, apenas um para explicar o sentido de “máquina do tempo” nessa história.
            Primeiramente, devemos entender a diferença de máquina do tempo e máquina do tempo. Uma delas controla o tempo e a outra só manda as pessoas para o passado para fazerem cagadas históricas ou para o futuro para verem a si mesmos velhos e deprimidos e, é claro, os carros voadores. Certamente uma viagem no tempo não é uma viagem no tempo se a pessoa for para o futuro e não encontrar carros voadores. Isso pode ser considerado um plágio histórico, mesmo que você viaje 15 segundos para o futuro. Aliás, se você viaja 15 segundos para o futuro, há uma grande chance de te apenas ligado a máquina do tempo, ela não ter feito nada e você sair no mesmo lugar. Aliás, lugar é um fator muito importante.
            Uma viagem no tempo não é apenas uma viagem no tempo, ela é uma viagem de espaço também. Pense nisso: você constrói uma máquina do tempo e vai seis meses para o futuro. Nesse tempo, a Terra já completou 1/2 do movimento de translação, e você estará flutuando no espaço, ai vem o segredo: a máquina do tempo é um transportador. E esse é o grande motivo de não terem inventado uma máquina do tempo ainda: empresas de ônibus iriam falir. Trem não porque tem gente que gosta de andar de trem, mas quem gosta de voltar do trabalho espremido no busão sentindo aquele cheiro picante de sovaco na cara? Imagino que ninguém.
            Outro detalhe é que a viagem no tempo nunca vai leva-lo para onde não quer, e esse é um dos motivos de ninguém parar no espaço quando viaja no tempo. Sério, qual seria o doente que iria querer arriscar parar no espaço? Não sabe as chances mínimas do gerador de improbabilidade infinita lhe salvar? São 30 segundos de vida pela frente, cara... para ter ideia, a chance de ser salvo nesse período de tempo é de 22079460347:1, então boa sorte.
            O último ponto que gostaria de abordar seria “modificar a própria existência”. Meu amigo, entenda uma coisa: se isso fosse verdade, não haveria como viajar no tempo. Vamos supor uma situação imaginária: eu tenho uma esposa por volta de 1895, e ela é morta por um assaltante, daí eu vou lá, construo uma máquina do tempo, volto e salvo ela. Sendo assim, eu elimino minha necessidade de montar uma máquina do tempo, e não poderia viajar, e assim ela morre novamente. É um paradoxo, cara. E se isso fosse possível, viagem no tempo não teria graça. Só poderia ir para o futuro, de repente comprar uma revista com os resultados dos esportes e ficar super hiper mega rico, mas nada além disso. 

O tempo sem nexo - Parte 2"