Quando temos uma decisão muito importante na nossa vida para
tomar, geralmente temos o medo de tomar a errada. Tenho um segredo para contar:
Você sempre toma a decisão errada. Explicando melhor, baseamos nossas decisões
pensando no que pode nos acontecer. Por exemplo: salvar a vida do seu amigo ou
ganhar um milhão de reais. Okay, são situações impossíveis, mas duas situações.
Se salvarmos o amiguinho, sentiremos muita falta do dinheiro. Caso peguemos o
dinheiro, nos sentiremos sozinhos e culpados. Em ambos os casos, pensaremos “eu
faria diferente agora se pudesse”. A grande questão é que só aprendemos o que
nos importa ao termos e perdermos. Se aplica a lógica da grama do vizinho ser
mais verde. Tudo é melhor naquilo que é idealizado por nós, pois quando
trazemos algo das nossas ideias para a realidade ela vem imperfeita. Somos
máquinas de xerox com pouca tinta e falhando nas linhas da vida.
42nd Street Band
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
sábado, 12 de dezembro de 2015
A verdadeira função humana / Placebismo
Sinto saudade do tempo em que as
coisas faziam sentido, mas quando paro pra pensar, parece que elas nunca
fizeram. Sério mesmo: sempre houveram de brigas de cerca até conflitos
internacionais; de roubo de chinelo até roubo de altas quantias públicas.
Então, me pergunto sobre essa atual crise.
Nós já passamos por isso. Não uma ou
duas, mas várias vezes. Sobrevivemos a elas (ou nossos pais/avós). Problemas
não são, em sua maioria, uma novidade. Eles são resultados daquilo que fazemos
ou deixamos de realizar.
Mas, voltando ao assunto em pauta,
existem coisas realmente sem pé nem cabeça. E por que não dizer todas? As
coisas fazem sentido pras pessoas que para elas atribuem um significado. É como
se fosse aquelas indiretas que só você e seu melhor amigo sabem. E elas passam
a ser de domínio público se você não mantê-la em segredo. Foi assim que demos
funcionalidades a objetos. Um exemplo disso: se alguém não soubesse o que é uma
guitarra, poderia confundi-la com uma arma. Curiosamente o oposto não acontece.
Tudo no mundo é o que é porque foi
criado para ser isso. Uma faca foi feita para cortar. Isso não quer dizer que
ela não possa quebrar galho apertando parafusos. Ela também serve para isso,
não tão bem quanto uma chave, mas funciona. A respeito disso, me pergunto qual
a verdadeira função do homem. Okay, ele serve para operar equipamentos, mas as
máquinas o fazem melhor. Constrói as máquinas; mas essas são capazes de fazer
novas máquinas. O ponto em questão é que cada vez mais parece que criamos
coisas com o fim de nos substituir. Para o homem, a única função verdadeira
seria o nosso ciclo vital, pelo menos por enquanto. Chegará um momento em que o
homem irá afetar isso: seu nascimento se dará de forma acelerada, assim como
seu crescimento. Sua reprodução será completamente manipulada pela ciência e
ele tentará eternamente driblar a morte, acabando com o equilíbrio da vida.
Douglas Adams cita, em sua obra intitulada
“A agência de investigações holísticas Dirk Gently”, a criação do que chama de
monge eletrônico, um aparelho com a função de acreditar nas coisas por nós.
Claro que isso não existe, mas mais uma vez é levantado um ponto para
discussão: o que deve ser substituído por outros aparelhos e o que deve ser
preservado; tudo deve ser otimizado?
Nós criamos tudo o que achamos
necessário. Na maioria das vezes, julgamos coisas extremamente bobas e supérfluas
como se tivessem uma real importância. Creio que essa seja a real função do
homem: buscar uma explicação pra tudo e para todos. Muitos acreditam que nós só
vamos viver de verdade se soubermos explicar tudo sobre aquilo que nos convém. Na
Grécia, contavam-se histórias explicando catástrofes e criação de
animais/objetos. No Egito, mostravam as causas para pragas, maldições e coisas
as quais julgavam importantes (como a mumificação). Atualmente, o que vem sido
julgado como criação para explicar fenômenos seria a própria criação de Deus.
Contrapondo a questão de que tudo
deve ser entendido, eu acredito que existem coisas que nós não conseguiremos
decifrar ou compreender. Tomamos Coca-Cola sem compreender sua fórmula. Comemos
chiclete mesmo que todos dizem que ele é feito de língua de vaca. Muitas coisas
devem apenas ser aceitas ao invés de interpretadas. Para isso, chego na
definição do Placebismo.
Um placebo é algo com a finalidade
de substituir um medicamento, sendo que ele não possui efeito nenhum. É o mesmo
que trocar um xarope por água sem que a pessoa saiba e isso continue melhorando
(ou achando que melhora). A religião placebo tem um efeito semelhante. É quando
você acaba crendo por crer, pra “não ficar fora da rodinha”. A realidade é que,
hoje em dia, muitas pessoas só creem em algo porque isso foi imposta a elas. Se
sua criação fosse livre, ele não acreditaria nisso, ou se fosse em alguma outra
cultura ela levaria aquilo como certo. Nisso também se vem a ideia de
funcionalidade para as coisas. Novamente citando Douglas Adams em seu texto “Existe
um Deus artificial?”, diz-se que o dinheiro é uma forma de Deus artificial,
pois é algo que, a princípio, não teria poder nenhum, apenas o que depositamos
nele. O problema é que as pessoas depositam sua fé e o poder em diversas coisas
e no fim “tudo se torna sagrado”. Seria mais fácil chegar no ponto de crer ou
não crer, sem querer justificar. Existirão mil argumentos para cada lado, cada
um baseado na sua concepção de realidade (visto que, para alguns, a realidade é
composta por aquilo que acreditamos ser verdade).
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
A lanterna das cachoeiras
Das
inúmeras lendas criadas na remota ilha de Isoladolândia, essa certamente era
uma das mais conhecidas. Não por ser boa ou interessante, mas por ser sem
sentido mesmo. E as coisas sem sentido são aquelas que as pessoas mais adoram.
Se duvida disso basta passar um tempinho vendo vídeos virais no YouTube.
Acontece
que nesse lugar é proibido se ter lanternas. A lenda confere que, toda vez que
alguém liga alguma, as cachoeiras da ilha a empurram para baixo, afundando cada
vez mais sua população. A lenda era completamente ignorada até que
pesquisadores apontaram que Aquaman era chegado numas lanternas. Desde então, o
povo as reprime e as odeia com ódio e fervura. Como se as inocentes pudessem se
defender. Aliás, essa ideia de que lanternas são indefesas é falha. As pessoas tendem
a acreditar que só porque algo é inanimado, não pensa ou é feito só de madeira
essa coisa é indefesa. Você consideraria um piano caindo por cima de você
indefeso? Eu acho que não.
Havia
um garoto que acreditava que as lanternas eram injustiçadas e elas não eram uma
entidade maligna, como as outras pessoas da ilha diziam. Então, junto com sua
namorada, foi atrás de explicações. Além de não ver uma base lógica para as
lanternas fazerem aquilo, ele não entendia como todas elas haviam desaparecido
da noite pro dia.
Os dois
eram jovens. Carlota era um rapaz adorável, ajudava sua mãe nas compras e seu
pai a lavar o carro. Já Alisson era uma menina fantástica. Cantava, dançava,
vivia sua vida. Formavam um casal feliz. Encontravam-se todo dia para ler na
biblioteca central. Aquele dia, foram pesquisar registros sobre as lanternas. A
garota não entendia o fascínio de Carlota pelas benditas malditas lanternas,
mas o amava e faria de tudo para ajuda-lo. Então, ficaram dias e dias após
aquele pesquisando e nada e nada e nadica de nada. Até que ela pensou que
poderia ser uma boa ideia perguntar a alguém mais velho se sabia o paradeiro
delas. Bingo! O velho bibliotecário sabia, e lhes disse porque era meio gaga:
- Elas
estão escondidas na floresta, perto da caverna.
No
outro dia foram atrás da caverna e a encontraram rapidamente. Durante oras
olharam perto dela e nada das malditas lanternas. Então começou a chover e
foram se abrigar na bendita do mito de Platão. E as lanternas estavam lá
dentro.
- Eu
acho que aquele bibliotecário não sabe a diferença entre “perto” e “dentro”.
- Eu acho
que aquele bibliotecário nem sabe que é bibliotecário.
Verificaram
que todas ainda possuíam baterias funcionais. Haviam sido jogadas lá porr
desespero, era a única explicação. Decidiram por ligar todas as lanternas
juntas. A ilha começou a alagar. Todos lá morreram.
E é por
isso que você nunca ouviu falar de Isoladolândia. Ela afundou.
Não tem
nada a ver com o fato de eu ter inventado ela aqui.
Nada
mesmo.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A certeza (texto de Bruno "brunin" Aguiar)
Entretanto, a certeza de Carlinhos já não dependia de fatos
objetivos. Instalara-se nele. Vira o quê? Talvez muito pouco; ou seja, uma
posse recíproca de pés, debaixo da mesa. Ninguém trai com os pés,
evidentemente. Mas de qualquer maneira ele estava "certo". Três dias
depois do ocorrido, ele se sentiu um pouco envergonhado e um tanto quanto
desapontado com o que havia acontecido na noite passada, pois o que havia
acontecido era uma coisa que não acontecia muito seguido, mas quando acontecia
era fatal, pois era mortal.
Então deu um duplo carpado de costas e enfim viu que seu potencial
para escalar montanhas era uma coisa de cozinheiro. Partindo para a cozinha
resbalou e fraturou um braço, mas a dor do braço já não valia de nada, pois ele
também tinha fraturado a cabeça e morrido. Então o ratinho que morava em sua
casa vibrou, pois teria carne fresca para comer por um bom tempo.
Logo que chegou em sua casa, Carlinhos tomou seu banho, colocou seu
terno mais chique, cujo não era nada demais, e foi ao encontro de sua amada.
Quando estava quase chegando ao seu destino um caminhão de lixo bateu e morreu.
A aleatoriedade de coisas incertas
Quando se pensa em algo sem sentido,
faz-se junções com “batata”, “trigo” e “superantibiodegradavississimamentismo”,
mesmo que algum destes termos não exista. É claro que a palavra em questão é “batata”,
ela é imaginária. Uma boa prova disso é o fato das batatas fritas do méqui
serem feitas de amido de milho. O superantibiodegradavississimamentismo existe,
pois eu o criei. Eu sou seu inventor, seu Deus, sua única fonte de fibras e
potássio, que junto com sete pacotes de Tang Uva lhe gerará alimento por três
semanas inteiras. Mas durante todo o período da Guerra Civil entre paraenses e
italianos, o crescimento das vendas de massa de pizza ultrapassou a marca de 78
pigmeus afrodescendentes, porque negros são ofensivos.
A ofensa do xingamento chega a ser
repulsiva, pois ela ofende. Não num sentido bíblico, mas religioso. Seria o
mesmo que o papa atropelar um coala. Não seria bíblico. Por não ser bíblico,
fala de pinoias, e as pinoias não existem, por isso são o que são: pinoias.
Pior do que esses 10 anos de azar,
só os 481 de sorte. Já imaginou ter que viver 481? Ainda mais com sorte... Deve
ser um saco. Um saco grande e peludo num dia quente de verão.
domingo, 13 de setembro de 2015
As flores racistas
E se eu dissesse que as flores não
gostam umas das outras? Acha difícil pensar nisso? Sejamos mais amplos então. E
um macaco discriminar outro por causa da sua família ou espécie, parece bom o
suficiente? Ainda duvida? Vai ver então o preconceito seja característica dos
animais “evoluídos”. Utilizo aspas não no sentido de evolução, pois por este
estamos no topo, mas no da consideração estamos na base, mostrando menos
entendimento do que qualquer outra categoria de seres vivos.
Quando perguntei se seria possível a
discriminação entre macacos de famílias ou espécies diferentes, pensava no
princípio evolutivo: e se isso fosse uma característica a qual nós não
evoluímos, não conseguimos mudar? Poderia ser algo presente nos nossos “parentes
distantes”. Mas aparentemente eles não
se odeiam. De certa forma buscam a uniam para se manter. Os cães fazem a mesma
coisa. Mesmo sendo de espécies diferentes, interagem entre si como se não
houvesse uma “hierarquia canina”.
Os animais são considerados seres
irracionais. Por irracional, entende-se logo de cara que não raciocina, não
pensa. Mas um cão pode planejar seus atos? Ele pode comandar suas vontades e
necessidades? Pode se comunicar com outros animais, mesmo que não seja
interpretado? Então uma das duas coisas não está correta: ou eles não são
irracionais ou o entendimento dessa palavra não é tão literal assim. Os animais
podem não acordar um dia e pensar “hoje em quero destruir a vida daquela
capivara” mas certamente elas tomam conhecimento das coisas que as cercam.
Então, talvez o mais correto seria dizer que eles não tem entendimento a
respeito da maldade, lembrando que as caças não são consideradas maldades, mas
sim instintos selvagens que muitas vezes se sobrepõem sobre as necessidades
básicas. Muitas vezes temos esses “instintos de caça” também. Será que somos
tão “primatas” assim ou eles não estão tão atrasados no ciclo evolutivo como se
espera? Aliás, a maioria dos filmes do gênero suspense/terror que mais apavoram
as pessoas são a respeito de animais que evoluem a sua consciência. Temos bons
exemplos assim com cobras, tubarões, macacos e aranhas. Mas, para eles, os
seres evoluídos somos nós. E não estamos em uma ficção, então há o que temer ?
Você não revidaria a ameaça de um ser que pensa mais do que você? Segundo esses
filmes, você iria.
Mas e as flores? Elas não se
enquadram na categoria “animália”. Elas nem possuem um cérebro. Como poderiam
ser racistas? A partir dessa premissa, podemos concluir que é necessário
possuir um cérebro para poder discriminar alguém, ao mesmo passo que se diz que
pessoas inteligentes se mantém abertos as diversidades e respeitam as coisas
que diferem de suas culturas. Por que então não poderiam as flores serem
racistas? Temos a diversidade de odores, de cores, de formatos, de espécies.
Uma flor rosa é melhor do que uma amarela? Ela é mais cheirosa? Para nós são
iguais, diferem apenas no gosto particular. Por que então quando pensamos sobre
gostos tentamos empurrar o que achamos correto? Porque se debatermos qual nossa
flor favorita ninguém vai tentar lhe convencer que a deles é a melhor, mas se
tentar expressar que prefere X e a maioria for Y, eles não irão desistir até
você se converter. Mas por quê? As flores não são dignas de discussão? Não são respeitáveis?
“Ah, são apenas flores”. Mas o que são as flores, afinal? Devemos aprender com
elas, aprender com os animais, porque se um animal evoluído aparentemente não
consegue se manter em frente as diferenças, ele não consegue nem se virar na realidade, pois
se mesmo os mais ancestrais dos animais conseguem, por que não poderíamos?
Muito do que se fala também é a
respeito da variedade. Diz-se que “as pessoas são todas iguais”. Esse é o
pensamento mais errôneo de todos. Pense no seu melhor amigo. Pense em cinco de
suas principais características. Quantas dessas são iguais? Provavelmente, não
todas. Mas, de certa forma, a questão de sermos iguais não se diz em relação a
isso. Mas, mesmo com minha fala induzida para um ponto falso, podemos
experimentar o que sempre digo: as pessoas não são iguais e nunca serão. Elas
todas são diferentes, assim como os animais de um zoológico ou as mil e uma
flores de um campo na primavera.
Feliz será o dia que poderemos escrever
textos falando sobre o racismo das pessoas e o quanto este deve desaparecer,
onde poderemos divulgar nossa opinião sem medo de que outras pessoas queiram muda-la
a todo custo. O dia mais feliz será aquele em que, ao falar sobre flores
racistas as pessoas não fiquem surpresas com uma flor ser preconceituosa, mas
com o fato de que um dia houve essa discriminação. Pois assim como os animais
fazem, devemos seguir: precisamos parar de acreditar que todas as pessoas são iguais
e aceitar e respeitar que todas são diferentes. Afinal, é mais fácil duas
pessoas completamente diferentes se entenderem ou as flores serem racistas?
domingo, 26 de julho de 2015
“Matei, mas foi por acidente”
Casamento, algo tão único na vida de
uma pessoa... Consumar a união de duas pessoas que se amam. É um evento único.
Menos para João Bolão. Este, em seu próprio casamento, acabara matando três
parentes da noiva: o seu sogro, a irmã e a tia da noiva. Ele nunca gostara
muito deles, visto que sempre pareceram se interessar pelo seu dinheiro. Mas
foi na frente de todos, eles viram que foi por acidente. Acontece que, para
comemorar seu casamento, João pegou uma AK-47 e deu tiros para o ar, os quais
três dos quatro disparados cabaram
atingindo os parentes da noiva, que já havia perdido a mãe cinco anos antes num
passeio no parque com o namorado e a família. Ela acidentalmente caiu no lago e
como não sabia nadar acabou se afogando. Todos culparam o noivo, mas como na
primeira vez quanto no casamento, ele dizia:
- Matei, mas foi por acidente.
E de fato, sempre que havia uma
investigação a respeito, viam que ele não havia agido de forma intencional.
Após o casamento, interrogaram o noivo e os resultados apontaram a mesma coisa:
João Bolão não fez por querer. A esposa, Maria Augusta, nem desconfiava do
marido, que sempre fora muito atencioso com os pais dela, mesmo eles o
explorando e sendo extremamente arrogantes com ele. Pelo menos não até aquele
dia.
Passaram-se sete anos após o
ocorrido. Moravam em uma casa consideravelmente gigantescamente
estonteantemente enorme em Cidápolis. Os seus vizinhos também moravam em casas
gigantes, mas todos possuíam idade avançada. João Bolão acabou herdando o
dinheiro de sua família, que caiu acidentalmente caiu em uma mina de ouro.
Literalmente caiu em uma mina de ouro. A família estava praticando escalada e
caminhada e em determinado trecho seus pais caíram em um terreno enfraquecido e
caído brutalmente numa mina abandonada, cheia de ouro. Os pais morreram na
hora, mas João acabou ficando com todo o ouro para si, junto com o irmão, Enrico
Rico, que agora era rico. O rico Enrico Rico acabou morrendo também, mas esse
em um quarto de hospital um mês antes do casamento. A causa da morte nunca foi
descoberta. Desde então, João era o único herdeiro da bolada. Sorte do Bolão.
Ele e sua esposa agora eram ricos.
Acontece que, um dia, ligaram do
hospital onde seu pai trabalhou até pouco tempo antes de morrer. Ele era
enfermeiro lá. Não porque não conseguira ser médico, mas porque acreditava que
enfermeiros trabalhavam mais do que eles. Havia lá uma caixa com coisas do seu
pai que ninguém nunca lembrara de buscar e que colocariam fora, a menos que
alguém pegasse. Seu marido se ofereceu para apanhar as lembranças, mas ela
achava que era algo que deveria fazer por sua conta. Então um dia, quando seu
marido saiu para trabalhar, ela foi de carro até o hospital e pegou a caixa.
Lá, havia jalecos, canetas, tocas e luvas cirúrgicas, uma raríssima e única
nota de um real e a coisa mais intrigante. Tinha lá um papel, onde estava
escrito GREG421. Ela ficou se perguntando o que significava aquilo. Após meia
hora lavando a louça (ela acreditava que, tendo uma casa daquele tamanho, não
ter empregados e arrumar a casa a manteria humilde, mas a pia era extremamente
complicada e ela não conseguia operá-la muito bem), lembrou-se que seu pai
tinha um notebook com senha, o qual ela nunca descobrira. Ele estava na sala em
que seu marido ficou no casamento, curiosamente. Ela resolveu tentar a senha e
conseguiu desbloqueá-lo. Começou a vasculhar as coisas de seu pai e não
encontrara nada demais. Apenas alguns documentos, músicas e vídeos em família.
Resolveu assistir alguns para matar a saudade. Um dos documentos se chamava “confissão.flv”.
A primeira coisa que pensou foi “quem diabos
grava um vídeo em formato FLV?”. A segunda coisa foi “que confissão seria essa?”.
Então ela abriu aquele vídeo. Era de pouco antes do casamento. Ela abriu o
vídeo. Nele, estava o irmão de seu marido numa cama do hospital. O notebook
estava de lado, como se alguém realmente o tivesse esquecido jogado no canto.
Nele também aparecia seu pai, falando com o irmão que falava:
- Meu irmão é um canalha!
- Também acho, mas tente se acalmar.
- Não, não é pelo que o senhor acha.
- E pelo que seria?
- Sabe a nossa fortuna? Bem, nossos
pais não caíram acidentalmente lá dentro. Conseguiram se esquivar, mas nós os
empurramos lá. Ninguém nunca descobriu, até sua esposa o questionar naquele
dia. Ele me confessou tudo, achando que eu fosse levar para o túmulo. Talvez
esse seja a habilidade da minha família. Fazer com que todos acreditem que nós
somos inocentes.
- E como vou saber se isso não é
mentira, que você só quer “ferrar” com seu irmão?
- Ele que está “ferrando” comigo,
enfermeira. Digo, enfermeiro... não estou acostumado, sabe? Enfim, ele me
envenenou e achou que nunca saberia. Achou que eu fosse morrer instantaneamente,
aquele idiota. Mas agora você tem a chance de extorqui-lo. Aproveite-se dele o
máximo, ele merece essa lição.
O vídeo acabou.
Maria Augusta estava perplexa com
aquilo. Não sabia se era verdade, mas
quem saberia? Tinha medo de perguntar ao marido e ter mesmo fim que sua
família. De repente, ela percebeu uma coisa: o editor de vídeo do notebook
ainda estava aberto. Então, resolveu assistí-lo. Era uma gravação do dia do
casamento. Estava o marido se arrumando e o notebook propositalmente escondido
dessa vez. De repente, o pai entra no quarto:
- Eu sei o que você fez!
- E-e o q-que eu f-fiz? – perguntou ele,
com um jeito tímido e até meio nervoso.
- Você matou sua família e a minha
mulher!
- Matei nada! Daonde você tirou
isso?
- Pare de fingir! Seu irmão
confessou tudo!
De repente, as feições do rapaz
mudaram completamente. Ele passou de tímido e indefeso para alguém assustador e
confiante.
- Então aquele retardado descobriu
que envenenei ele?
- Aparentemente, ninguém morre por
envenenamento instantaneamente.
- De fato, mas por que você guardou
isso até agora?
- Porque, assim que vocês se
casarem, posso contar para minha filha e para a polícia tudo o que você fez.
Assim, você vai preso e nós ficaremos com todo o seu dinheiro. Genial, não?
- É, exceto pelo fato de ter me
contado. Assim, eu posso te matar!
- Não seja tolo, eu tenho
testemunha! Se você me mata, minha testemunha vai direto na polícia e te
entrega.
- Isso é o que vamos ver...
O vídeo acabou.
A esposa havia percebido tudo então.
Seu marido era um psicopata. Matara todo mundo que o quis entregar a polícia.
Então, ela fez o que ninguém conseguiu fazer. Esperou seu marido chegar do
trabalho (ele vinha de ônibus, para preservar sua humildade) e quando se
aproximou da casa, a esposa “acidentalmente” atropelou o marido duas vezes.
Quando foi questionada sobrea morte pela polícia, apenas respondeu:
- Matei, mas foi por acidente...
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