segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A religião inventada

           Primeiramente, gostaria que soubesse que eu pensei muito se deveria ou não escrever esse texto pelo seguinte motivo: pessoas são chatas. Elas gostam de ver problemas e criticar tudo que fazemos. Mas e quando se fala de religião?
            Eu acho muito sem sentido não debatermos NADA sobre religião. Em nossas escolas, onde aprenderíamos sobre as culturas religiosas, vemos apenas que Deus criou o homem e o mundo a sua imagem e semelhança. As outras crenças não contam ou não importam? “Ah, mas as outras religiões não contam, só a minha é a verdadeira e merece ser seguida e louvada”. E por quê? Que provas você tem? É isso que quero dizer: as pessoas apenas creem sem contestar. Elas adoram algo que, na maioria das vezes, nem buscam saber se é real ou não.
            Eu fui criado em uma família católica e induzido a frequentar a igreja. Com isso, eu me tornei católico. Porém muitas coisas dentro da própria igreja sempre me deixaram em dúvida se era aquilo mesmo em que eu acreditava. Para mim, o grande problema da igreja católica é ser conservadora em certos aspectos. Muitas vezes fui a missas e ouvia frases como “os jovens fazem tudo errado, e nosso dever como donos da razão é trazer ele pro nosso lado”. Por que jovens entrariam em uma igreja que não os incluem nem em seus discursos? O pior é que ninguém contesta isso. As pessoas estão acostumadas a só aceitar e seguir em frente. Quando que questionar se tornou algo ruim?
            Continuando minha trajetória religiosa, comecei a analisar outras religiões. E comecei a perceber como somos prepotentes. Se pararmos para analisar, somos simples pessoas em um planeta que tem mais água que terra, e esse globo achatado nos polos está dentro de um conjunto de esferas girando em torno de uma estrela. Agora vamos considerar a quantidade de estrelas com possíveis planetas girando ao seu redor e que eles também têm suas formas de vida, isso tudo dentro de uma galáxia. Ah, eu me esqueci de contar? Não há só uma galáxia. Ou seja, existem incontáveis estrelas com incontáveis planetas em incontáveis galáxias no nosso universo. Isso tudo considerando que haja apenas um universo. Então não seria prepotência considerar que haja um ser criador de tudo isso e que ele é nossa imagem e semelhança? É como disse Douglas Adams, escritor de O Guia do Mochileiro das Galáxias: “ora, como só conheço um tipo de criatura que cria coisas, quem quer que tenha criado tudo isso deve ser como eu, só que bem maior, muito mais poderoso e necessariamente invisível”. Com essa crítica bem-humorada, podemos analisar isso: a mania do homem de sempre achar que nós somos os donos do mundo, e não de maneira figurada.
            O grande erro é o ditado “nós não devemos discutir religião”. Isso quer dizer que devemos aceitar cegamente tudo que nos dizem? Martinho Lutero, que idealizou o protestantismo, foi perseguido por justamente isso: ele tinha sua crença, discordava do que a igreja pregava, tentou expor suas ideias e já sabemos o que aconteceu. E tudo por quê? Por não termos a coragem e decência de sentar e expor nossas ideias. Não estou dizendo que as religiões não devam ser respeitadas, longe disso! Eu mesmo gosto de muitas ideias e propostas de várias crenças diferentes. Mas o que quero dizer que devemos sentar à mesa, pegar o martelo e tentar entender as ideias antes de segui-las cegamente. Isso me leva ao próximo ponto.
            Existem basicamente três tipos de pessoas quando o assunto é religião: os que creem, os que têm dúvidas sobre suas crenças e acabam não assumindo suas crenças e os ateus. Os ateus se dividem em dois casos: os normais e os chatos.
            Ateus normais são aqueles que não possuem uma crença e respeitam a sua opinião. Ateus chatos são os que tentam de todo jeito mostrar que você é inferior por crer em algo que nunca deu as caras. Os três tipos que citei tem essas divisões, mas por que peguei ateus para falar sobre? Porque hoje em dia é modinha não ter fé. Pessoas saem pelas ruas dizendo que não tem fé e que os outros são idiotas por acreditarem nisso. Nos crentes, tem os que vão à igreja e ficam o tempo todo no seu iPortátil fazendo sei lá o que. Daí perguntam o que a pessoa é e ela diz católica/evangélica/muçulmano/milhares de religiões que posso citar.
            Voltando ao ponto “Deus”: as pessoas amam contestar sua existência e, para qualquer resposta, vem a réplica “e os dinossauros?”. Ok, esse argumento quebra de vez 96% das pessoas que querem discutir religião, mas quero aqui citar pontos que merecem ser discutidos.
            Ok, vamos considerar que Deus criou o mundo. A grande pergunta é quem criou Deus? Como Ele vivia antes disso? Onde Ele vivia? Ele simplesmente existia? Vou explicar melhor.
            Sobre a nossa origem existem duas explicações: Científica e Religiosa. A científica diz que houve uma explosão, tudo se separou, espécies começaram a surgir e evoluir e então chegaram os dinossauros. A religiosa nos diz que, em seis dias, tudo foi criado. Vale observar que antigamente a igreja criticava a ciência por não obter respostas mais detalhadas. Então os cientistas foram lá e fizeram o que os religiosos deveriam fazer: se adaptaram, aprimoraram suas ideias. Antigamente se defendia a submissão da mulher ao homem. Hoje em dia isso é visto com outros olhos. Você acha que foi a religião que mudou isso? Ela só se adapta ao que a sociedade diz. Martinho Lutero em seu manifesto citou o que ele discordava da Igreja Católica. Ele traduziu a Bíblia do latim, e lá obviamente a adaptou. Só não consigo entender por que ninguém mais fez isso.

            O último ponto que quero levantar é sobre a criação. Não a nossa, mas a de ídolos. As pessoas precisam de algo para adorar, para amar sem questionar. Antigamente não existiam bens, não existiam grandes propriedades, existiam crenças. E nisso surgiram incontáveis crenças. E o que faz com que a Bíblia seja o livro da verdade? Justamente a sua interpretação. Não questionando o que esteja escrito lá, ou duvidando a sua veracidade, mas as pessoas idolatram as coisas, principalmente as inventadas. Um exemplo disso: o dinheiro. Sabe o que é o dinheiro? Um pedaço de papel, um nada, a coisa mais insignificante e sem valor do mundo. E por que todo mundo batalha todos os dias por isso? Pelo valor que é dado. Esse valor que é gerado pelas crenças. O amar sem questionar que torna as coisas irracionais. Se chegasse uma pessoa e dissesse “Os dinossauros surgiram com o big bang, e eles criaram Deus, que por sua vez criou os seres humanos” ela seria chamada de maluca, mas qual religião não tem uma ideia assim?

sábado, 18 de outubro de 2014

A palavra “esquecimento”

“Esquecer: verbo transitivo. Não pensar em; esqueçamos o passado; deixar de lado; omitir por negligência”.
É incrível como algumas palavras caem no esquecimento. Se nós analisarmos pessoas que falam a palavra “aborrecido” teremos uma faixa etária de 67 anos e criados em colônias no interior. Quando falam “as coisas não são mais como antigamente”, me pergunto se “aborrecido” era a gíria do momento e “lek” era a gíria dos velhos... Inclusive, a fala “no meu tempo não era assim” está presente em todos os tempos da história, o que a torna incorreta, uma vez que sempre se houve a cultura dos mais velhos e está sendo considerada aborrecedora, ou como pessoas com menos de 67 anos diriam, chata.
            A questão aqui não são palavras que entram em esquecimento, mas o esquecimento em si. Ele é o maior medo das pessoas e em outras vezes é aquilo que elas mais querem. Esquecer está na relatividade de ser o maior privilégio e a maior maldição. Quando esquecer é ruim? Quando ele é bom?
            É da condição humana querem ser importante. Nem que seja para apenas uma pessoa, mas ninguém quer ser esquecido. É uma ideia de não ter importância, entrar em um buraco em que nunca haverá luz.  A diferença para as palavras é que elas não tem suas próprias memórias. Uma pessoa, quando cai em esquecimento, deixa todos aqueles momentos bons e importantes de sua vida e simplesmente deixa de existir.
            Mas não é por culpa, as pessoas esquecem. Não podem culpar alguém por isso, até porque ela certamente não lembraria de você. Ela não faria de propósito. Pessoas têm prioridades, e se você não é uma delas não culpe os outros, culpe você mesmo. Afinal, quem não é importante nesse caso é você.
            Há o caso onde se quer esquecer, se precisa esquecer. E por que não esquece? Por causa da importância que determinada pessoa tem pra você. Isso não é um texto motivacional, mas entenda: se alguém é importante pra você, não vai ser da noite para o dia que ela será esquecida. Isso é gradual.
            Afinal, o esquecimento é ruim? As coisas não duram para sempre.. Devemos nos acostumar a essa ideia. Em minha opinião, a única coisa que dura para sempre são ideias, então, se não quer ser esquecido, contribua para isso. Contribua para algo importante. É muito mais útil que ficar reclamando por ser um inútil no mundo. Embora eu ainda acredite que o segredo da vida seja achar uma pessoa que se importe e goste de você de uma forma tão imensa como você sente. Mas se você é egocêntrico o suficiente para o outro caminho, siga ele.

                

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Quarenta e Dois

            Números sempre me intrigaram. As pessoas sempre tiveram a necessidade de definir cor preferida, animal preferido, super-herói preferido, esporte preferido, remédio preferido e, naturalmente, número preferido. Ok, cores fazem as pessoas se sentirem de maneiras diferentes, animais variam do gosto, super-herói do caráter, esporte do que ela gosta e remédio do seu grau de sanidade mental. Mas e número? O que faz as pessoas definirem um número de sorte?
            Será que é pelo formato? Pela sonoridade? Por ser um número legal? Por haver algum significado para ela? Já perguntei a muitas pessoas seus números preferidos e o porquê de serem esses e a maioria das respostas que recebia era “porque eu acho ele legal”. Logo, se um número o leva para um bar para curti e beber todas, ele é considerado legal? Por essa lógica, o melhor número é 42.
            Dentre as milhões de justificativas, eu acredito que seja por significado para cada pessoa. Meu número preferido até os 15 anos foi 14, devido a uma propaganda da Brasil Telecom que falava “Ligue ligue, catorze” e eu, na minha inocência de criança, cantava “Ligue ligue, desequatro”. Quando fui corrigido, eu pensei “cara, esse número é legal... ele não segue a lógica” e o adotei como número preferido.
            14 sempre foi especial para im desde aquele momento. Porém, quando li o livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, percebi que havia outro critério a ser avaliado: qual o melhor número. E esse com certeza é 42.
Douglas Noel Adams (cuja sigla é DNA) afirmou que a escolha do número veio através da sugestão de um amigo, e que não tinha nenhum significado. Disse ele certa vez: “A resposta é muito simples. Foi uma brincadeira. Tinha que ser um número, um ordinário, pequeno e eu escolhi esse. Representações binárias, base 13, macacos Tibetanos são totalmente sem sentido. Eu sentei à minha mesa, olhei para o jardim e pensei “42 vai funcionar” e escrevi. Fim da história.”. Eu não acredito nisso.
Douglas Adams era um escritor, assim digamos, debochado. Ele pegava seu conceito de lógica, destruía, e rebocava com uma boa dose de humor. Então, 42 poderia ser um deboche, algo para as pessoas ficarem curiosas e que realmente não tivesse significado. Mas não podemos esquecer uma coisa: Douglas Adams também era um gênio.
Vários significados surgiram para o número 42 após sua utilização em “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, além de incontáveis referências. Eu poderia listar todas as possíveis interpretações para o número nesse texto, mas ele perderia o seu propósito. Meu propósito aqui é apresentar porque quarenta e dois É o melhor número e o provável porquê de Douglas Adams o utilizá-lo.
42 pode ser considerado o equilíbrio entre o bem e o mal, segundo a teoria de que 666, o número da besta, é 42 (6x6+6) e que 777, o número de Deus, também seria 42 (7x7-7). Sendo assim, seu valor seria vindo do equilíbrio das duas forças. Claramente não era essa a ideia de Douglas Adams, uma vez que ele era ateu.
Em minha humilde e leiga opinião, Douglas Adams precisa sim de um número para colocar como resposta para a Questão Fundamental (A resposta da vida, do universo e tudo mais) e a minha teoria é a seguinte: ele não iria escolher um número solto, mas nada com um significado muito estrondoso. Nada muito absurdo nem muito chocante, e que sua simplicidade, quando descoberta, surpreendesse a todos a ponto de não questioná-lo. Posso estar redondamente enganado, mas para mim DNA escolheu esse número em função da frase "the life, the universe and everything else", que em português significa “a vida, o universo e tudo mais”, possui exatamente 42 caracteres.

Para mim, era isso que ele queria: uma resposta simples para a questão mais complicada de nossas. Em é em sua capacidade em simplificar as coisas que Douglas Adams se mostra um gênio.