E se eu dissesse que as flores não
gostam umas das outras? Acha difícil pensar nisso? Sejamos mais amplos então. E
um macaco discriminar outro por causa da sua família ou espécie, parece bom o
suficiente? Ainda duvida? Vai ver então o preconceito seja característica dos
animais “evoluídos”. Utilizo aspas não no sentido de evolução, pois por este
estamos no topo, mas no da consideração estamos na base, mostrando menos
entendimento do que qualquer outra categoria de seres vivos.
Quando perguntei se seria possível a
discriminação entre macacos de famílias ou espécies diferentes, pensava no
princípio evolutivo: e se isso fosse uma característica a qual nós não
evoluímos, não conseguimos mudar? Poderia ser algo presente nos nossos “parentes
distantes”. Mas aparentemente eles não
se odeiam. De certa forma buscam a uniam para se manter. Os cães fazem a mesma
coisa. Mesmo sendo de espécies diferentes, interagem entre si como se não
houvesse uma “hierarquia canina”.
Os animais são considerados seres
irracionais. Por irracional, entende-se logo de cara que não raciocina, não
pensa. Mas um cão pode planejar seus atos? Ele pode comandar suas vontades e
necessidades? Pode se comunicar com outros animais, mesmo que não seja
interpretado? Então uma das duas coisas não está correta: ou eles não são
irracionais ou o entendimento dessa palavra não é tão literal assim. Os animais
podem não acordar um dia e pensar “hoje em quero destruir a vida daquela
capivara” mas certamente elas tomam conhecimento das coisas que as cercam.
Então, talvez o mais correto seria dizer que eles não tem entendimento a
respeito da maldade, lembrando que as caças não são consideradas maldades, mas
sim instintos selvagens que muitas vezes se sobrepõem sobre as necessidades
básicas. Muitas vezes temos esses “instintos de caça” também. Será que somos
tão “primatas” assim ou eles não estão tão atrasados no ciclo evolutivo como se
espera? Aliás, a maioria dos filmes do gênero suspense/terror que mais apavoram
as pessoas são a respeito de animais que evoluem a sua consciência. Temos bons
exemplos assim com cobras, tubarões, macacos e aranhas. Mas, para eles, os
seres evoluídos somos nós. E não estamos em uma ficção, então há o que temer ?
Você não revidaria a ameaça de um ser que pensa mais do que você? Segundo esses
filmes, você iria.
Mas e as flores? Elas não se
enquadram na categoria “animália”. Elas nem possuem um cérebro. Como poderiam
ser racistas? A partir dessa premissa, podemos concluir que é necessário
possuir um cérebro para poder discriminar alguém, ao mesmo passo que se diz que
pessoas inteligentes se mantém abertos as diversidades e respeitam as coisas
que diferem de suas culturas. Por que então não poderiam as flores serem
racistas? Temos a diversidade de odores, de cores, de formatos, de espécies.
Uma flor rosa é melhor do que uma amarela? Ela é mais cheirosa? Para nós são
iguais, diferem apenas no gosto particular. Por que então quando pensamos sobre
gostos tentamos empurrar o que achamos correto? Porque se debatermos qual nossa
flor favorita ninguém vai tentar lhe convencer que a deles é a melhor, mas se
tentar expressar que prefere X e a maioria for Y, eles não irão desistir até
você se converter. Mas por quê? As flores não são dignas de discussão? Não são respeitáveis?
“Ah, são apenas flores”. Mas o que são as flores, afinal? Devemos aprender com
elas, aprender com os animais, porque se um animal evoluído aparentemente não
consegue se manter em frente as diferenças, ele não consegue nem se virar na realidade, pois
se mesmo os mais ancestrais dos animais conseguem, por que não poderíamos?
Muito do que se fala também é a
respeito da variedade. Diz-se que “as pessoas são todas iguais”. Esse é o
pensamento mais errôneo de todos. Pense no seu melhor amigo. Pense em cinco de
suas principais características. Quantas dessas são iguais? Provavelmente, não
todas. Mas, de certa forma, a questão de sermos iguais não se diz em relação a
isso. Mas, mesmo com minha fala induzida para um ponto falso, podemos
experimentar o que sempre digo: as pessoas não são iguais e nunca serão. Elas
todas são diferentes, assim como os animais de um zoológico ou as mil e uma
flores de um campo na primavera.
Feliz será o dia que poderemos escrever
textos falando sobre o racismo das pessoas e o quanto este deve desaparecer,
onde poderemos divulgar nossa opinião sem medo de que outras pessoas queiram muda-la
a todo custo. O dia mais feliz será aquele em que, ao falar sobre flores
racistas as pessoas não fiquem surpresas com uma flor ser preconceituosa, mas
com o fato de que um dia houve essa discriminação. Pois assim como os animais
fazem, devemos seguir: precisamos parar de acreditar que todas as pessoas são iguais
e aceitar e respeitar que todas são diferentes. Afinal, é mais fácil duas
pessoas completamente diferentes se entenderem ou as flores serem racistas?
Nenhum comentário:
Postar um comentário