domingo, 13 de setembro de 2015

As flores racistas

            E se eu dissesse que as flores não gostam umas das outras? Acha difícil pensar nisso? Sejamos mais amplos então. E um macaco discriminar outro por causa da sua família ou espécie, parece bom o suficiente? Ainda duvida? Vai ver então o preconceito seja característica dos animais “evoluídos”. Utilizo aspas não no sentido de evolução, pois por este estamos no topo, mas no da consideração estamos na base, mostrando menos entendimento do que qualquer outra categoria de seres vivos.
            Quando perguntei se seria possível a discriminação entre macacos de famílias ou espécies diferentes, pensava no princípio evolutivo: e se isso fosse uma característica a qual nós não evoluímos, não conseguimos mudar? Poderia ser algo presente nos nossos “parentes distantes”.  Mas aparentemente eles não se odeiam. De certa forma buscam a uniam para se manter. Os cães fazem a mesma coisa. Mesmo sendo de espécies diferentes, interagem entre si como se não houvesse uma “hierarquia canina”.
            Os animais são considerados seres irracionais. Por irracional, entende-se logo de cara que não raciocina, não pensa. Mas um cão pode planejar seus atos? Ele pode comandar suas vontades e necessidades? Pode se comunicar com outros animais, mesmo que não seja interpretado? Então uma das duas coisas não está correta: ou eles não são irracionais ou o entendimento dessa palavra não é tão literal assim. Os animais podem não acordar um dia e pensar “hoje em quero destruir a vida daquela capivara” mas certamente elas tomam conhecimento das coisas que as cercam. Então, talvez o mais correto seria dizer que eles não tem entendimento a respeito da maldade, lembrando que as caças não são consideradas maldades, mas sim instintos selvagens que muitas vezes se sobrepõem sobre as necessidades básicas. Muitas vezes temos esses “instintos de caça” também. Será que somos tão “primatas” assim ou eles não estão tão atrasados no ciclo evolutivo como se espera? Aliás, a maioria dos filmes do gênero suspense/terror que mais apavoram as pessoas são a respeito de animais que evoluem a sua consciência. Temos bons exemplos assim com cobras, tubarões, macacos e aranhas. Mas, para eles, os seres evoluídos somos nós. E não estamos em uma ficção, então há o que temer ? Você não revidaria a ameaça de um ser que pensa mais do que você? Segundo esses filmes, você iria.
            Mas e as flores? Elas não se enquadram na categoria “animália”. Elas nem possuem um cérebro. Como poderiam ser racistas? A partir dessa premissa, podemos concluir que é necessário possuir um cérebro para poder discriminar alguém, ao mesmo passo que se diz que pessoas inteligentes se mantém abertos as diversidades e respeitam as coisas que diferem de suas culturas. Por que então não poderiam as flores serem racistas? Temos a diversidade de odores, de cores, de formatos, de espécies. Uma flor rosa é melhor do que uma amarela? Ela é mais cheirosa? Para nós são iguais, diferem apenas no gosto particular. Por que então quando pensamos sobre gostos tentamos empurrar o que achamos correto? Porque se debatermos qual nossa flor favorita ninguém vai tentar lhe convencer que a deles é a melhor, mas se tentar expressar que prefere X e a maioria for Y, eles não irão desistir até você se converter. Mas por quê? As flores não são dignas de discussão? Não são respeitáveis? “Ah, são apenas flores”. Mas o que são as flores, afinal? Devemos aprender com elas, aprender com os animais, porque se um animal evoluído aparentemente não consegue se manter em frente as diferenças, ele  não consegue nem se virar na realidade, pois se mesmo os mais ancestrais dos animais conseguem, por que não poderíamos?
            Muito do que se fala também é a respeito da variedade. Diz-se que “as pessoas são todas iguais”. Esse é o pensamento mais errôneo de todos. Pense no seu melhor amigo. Pense em cinco de suas principais características. Quantas dessas são iguais? Provavelmente, não todas. Mas, de certa forma, a questão de sermos iguais não se diz em relação a isso. Mas, mesmo com minha fala induzida para um ponto falso, podemos experimentar o que sempre digo: as pessoas não são iguais e nunca serão. Elas todas são diferentes, assim como os animais de um zoológico ou as mil e uma flores de um campo na primavera.
            Feliz será o dia que poderemos escrever textos falando sobre o racismo das pessoas e o quanto este deve desaparecer, onde poderemos divulgar nossa opinião sem medo de que outras pessoas queiram muda-la a todo custo. O dia mais feliz será aquele em que, ao falar sobre flores racistas as pessoas não fiquem surpresas com uma flor ser preconceituosa, mas com o fato de que um dia houve essa discriminação. Pois assim como os animais fazem, devemos seguir: precisamos parar de acreditar que todas as pessoas são iguais e aceitar e respeitar que todas são diferentes. Afinal, é mais fácil duas pessoas completamente diferentes se entenderem ou as flores serem racistas?

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