"Cap. 6 –
Sobre viagem no tempo
Há coisas que devemos ter em mente quando abordamos o
tema “máquina do tempo”. Este não é um capítulo relacionado à história, apenas
um para explicar o sentido de “máquina do tempo” nessa história.
Primeiramente, devemos entender a diferença de máquina do
tempo e máquina do tempo. Uma delas controla o tempo e a outra só manda as
pessoas para o passado para fazerem cagadas históricas ou para o futuro para
verem a si mesmos velhos e deprimidos e, é claro, os carros voadores.
Certamente uma viagem no tempo não é uma viagem no tempo se a pessoa for para o
futuro e não encontrar carros voadores. Isso pode ser considerado um plágio
histórico, mesmo que você viaje 15 segundos para o futuro. Aliás, se você viaja
15 segundos para o futuro, há uma grande chance de te apenas ligado a máquina
do tempo, ela não ter feito nada e você sair no mesmo lugar. Aliás, lugar é um
fator muito importante.
Uma viagem no tempo não é apenas uma viagem no tempo, ela
é uma viagem de espaço também. Pense nisso: você constrói uma máquina do tempo
e vai seis meses para o futuro. Nesse tempo, a Terra já completou 1/2 do
movimento de translação, e você estará flutuando no espaço, ai vem o segredo: a
máquina do tempo é um transportador. E esse é o grande motivo de não terem
inventado uma máquina do tempo ainda: empresas de ônibus iriam falir. Trem não
porque tem gente que gosta de andar de trem, mas quem gosta de voltar do
trabalho espremido no busão sentindo aquele cheiro picante de sovaco na cara?
Imagino que ninguém.
Outro detalhe é que a viagem no tempo nunca vai leva-lo
para onde não quer, e esse é um dos motivos de ninguém parar no espaço quando
viaja no tempo. Sério, qual seria o doente que iria querer arriscar parar no
espaço? Não sabe as chances mínimas do gerador de improbabilidade infinita lhe
salvar? São 30 segundos de vida pela frente, cara... para ter ideia, a chance
de ser salvo nesse período de tempo é de 22079460347:1, então boa
sorte.
O último ponto que gostaria de abordar seria “modificar a
própria existência”. Meu amigo, entenda uma coisa: se isso fosse verdade, não
haveria como viajar no tempo. Vamos supor uma situação imaginária: eu tenho uma
esposa por volta de 1895, e ela é morta por um assaltante, daí eu vou lá,
construo uma máquina do tempo, volto e salvo ela. Sendo assim, eu elimino minha
necessidade de montar uma máquina do tempo, e não poderia viajar, e assim ela
morre novamente. É um paradoxo, cara. E se isso fosse possível, viagem no tempo
não teria graça. Só poderia ir para o futuro, de repente comprar uma revista
com os resultados dos esportes e ficar super hiper mega rico, mas nada além
disso.
O tempo sem nexo - Parte 2"
Nenhum comentário:
Postar um comentário